PACIÊNCIA SEM RECOMPENSA

No alto do seu salto, a menina de cabelo cacheado sobe e desce a escada uma porção de vezes.

 

Coloca a blusa magenta decotada e pergunta:

 

— Como estou?

 

— Linda — respondo.

 

Troca para uma bata branca.

 

— E agora, como estou?

 

— Linda — afirmo.

 

Veste um corpete preto e uma calça jeans rasgada.

 

— Que tal? Como estou?

 

— Linda — insisto.

 

— Você diz isso pra todas as roupas! — ela brada.

 

— Prefiro você pelada — concluo.

 

Ela se aproxima e beija minha boca, sua língua borbulha paixão. Quando me atrevo a ir mais longe, ela me bloqueia.

 

— Pó’parando — diz. — Tô com enxaqueca.

 

— De novo? — reclamo.

 

— Tomei dois comprimidos e, se continuar assim, tomarei o terceiro.

 

Desisto de lutar e ela sai vitoriosa desta batalha. Sento no sofá, sirvo um bom trago de rum — com bastante gelo e limão — e aguardo-a continuar seu desfile de indecisões.

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