PEDRAS NA MINHA JANELA

Quando às 3 da manhã
o telefone toca,
o número que se revela
na tela
me deixa inquieto.
Não atendo.
2 minutos se passam
e o porteiro eletrônico toca. 
Não atendo.
Pedras são jogadas 
na minha janela e
batem na persiana. 
Estouros.
O vizinho grita:
"Vai dormir, vadia!".
As pedras aumentam
de tamanho.
Mais estouros. 
O vizinho do andar de cima
grita mais uma vez: "Se ele não te quer,
sobe aqui que nos acertamos". 
Escuto a porta do edifício ser aberta,
depois a do apartamento.
Cama rangendo.
Gemidos.
E, provavelmente,
cigarros acesos.
Viro de lado na cama e
respiro aliviado, 
desejando boa sorte 
ao vizinho em sua nova
empreitada.

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