QUANDO A PORTA BATE

Coloco um ponto final no último conto que teclo e vou até a cozinha beber uma água tônica.

 

Um copo é o suficiente.

 

Olho através da janela do terraço e o dia amanheceu. Uma cortina branda de neblina cobre o horizonte chuvoso.

 

Meu pai está indo trabalhar. A porta lá embaixo bate.

 

Minutos depois, minha irmã sai para aula. A porta lá embaixo bate.

 

Meu irmão não fica para trás, sai logo em seguida para academia e eu escuto a porta lá embaixo bater.

 

Regresso para o meu quarto e tento dormir.

 

Minha mãe balbucia palavrões e reclamações. Está falando sozinha na cozinha. Pergunto-me se enlouqueceu. Mas entendo sua indignação quando ouço a torneira da mangueira ser ligada e a vassoura ser esfregada na sacada. Um dos cachorros cagou e pelo jeito a merda foi das grandes.

 

Todos seguem o seu destino e eu continuo tentando seguir o meu: dormir e acordar apenas quando for necessário (de preferência depois das 15h).

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