ESPELHO, ESPELHO MEU...

O espelho que reflete a minha imagem, não passa de uma besta quadrada. Eu me esforço para demonstrar a boa aparência que tenho e ele continua a me esnobar.

 

O que fazer para conseguir o amor desse ser reflexivo?

 

Desisto de tentar a sua compreensão e sigo em frente. Chego à sala e um cheiro de tinta fresca domina o ar. Minha mãe está pintando as paredes de branco e diz que o próximo cômodo a passar por uma plástica reconstrutora será meu quarto. Sem entrar em muitos detalhes, eu pisco para ela e digo: Sim senhora, você que manda.

 

Atravesso a sala e entro na cozinha. Sorrio quando vejo, sobre o fogão, a chaleira soprando o vapor de água fervente pela tromba. Abro o armário e pego dois saquinhos de chá.

 

1º) Chá verde com laranja. 
2º) Chá branco com limão.

 

Com a água quente dentro da caneca, brinco um pouco com os dois saquinhos e suas respectivas cordinhas.

 

Sobe e desce.
Sobe e desce.
Sobe e desce...

 

Espero a água se revelar numa cor mais densa e completo o ritual diário com duas gotas de Stevita.

 

Regresso com a xícara para o quarto, olho novamente para o Sr. Espelho e digo-lhe encarando-o seriamente: Um dia você me amará. Ou será assim, ou fará companhia para a balança que está exilada no fundo do armário.

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