UMA NOITE QUALQUER

Tarde da noite e a tormenta rege a orquestra lá fora. Fumo um Marlboro e escuto o CD do Allman Brothers no rádio da sala.

 

Batem na porta. Atendo, é a vizinha.

 

“Pois não?”, pergunto.

 

“Estou com medo”, ela responde.

 

Fico encucado e digo: “E daí, gata?”

 

“Posso ficar aqui com o senhor?”

 

“Senhor?”

 

“Desculpa... Com você?”

 

“Sim, sim, entre.”

 

Ela pede um minuto e sai porta afora. Retorna segurando uma garrafa do bom e velho Natu Nobilis.

 

Minha visita comenta: "Me deixa mais calma.”

 

Concordo com a cabeça, abro a garrafa e despejo o líquido em dois copos. Questiono se deseja que misture água em seu drinque. Ela diz que não, prefere puro.

 

Mulher de fibra essa.

 

A vizinha segura minha mão enquanto lentamente as palavras saem de sua boca.

 

“Nunca conversamos, Rino."

 

“Pois é”, eu digo, “só bom dia e boa noite.”

 

“Faz o que da vida?”

 

“Respiro e durmo.”

 

“Legal.”

 

Ela me conta que é garçonete e dançarina numa boate no centro da cidade.

 

Ofereço um cigarro. Ela aceita. 

 

Acendo e a garçonete dá boas tragadas.

 

Encho nossos copos novamente. Um trovão soa lá fora. A vizinha pula e um pouco de uísque derrama do copo.

 

Digo a ela: “Não se preocupe, acontece...”

 

“Tenho medo de relâmpagos e trovões”, diz cabisbaixa .

 

A vizinha-garçonete-dançarina é uma graça. Aviso que comigo estará protegida. Ela me olha animada e fala que sou um cavalheiro.

 

Fico lisonjeado e balbucio:  “E você é gostosa.”

 

Brindamos, bebemos e nos beijamos.

 

Uma transa ardente acontece.

 

Ela é boa de cama, traz a experiência do trabalho.

 

Gozamos e em seguida dormimos.

 

Acordo e a vizinha não está mais no meu apartamento. Olho pela janela e o sol rege a orquestra lá fora.

 

Ligo o rádio e deixo rodar o mesmo CD da noite anterior.

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