UM DEFEITO A SER CORRIGIDO

Eu acordo e ela briga comigo. Diz que o meu ronco é gutural demais. Reclama que me cutuca, me vira de lado e nem assim eu paro com o rugido estrondoso. Exige que eu me trate, pois não viverá com um cara tão barulhento.

 

Eu digo:

 

— Deixa disso, o amor é o mais importante.

 

Ela fica mais brava e retruca:

 

— Amor uma ova! Até o amor tem limites. E o meu limite é uma boa noite de sono. O-Dormir-Bem.

 

Tento argumentar:

 

— Eu só ronco quando bebo ou como demais.

 

— Não me venha com essa. Sempre que dorme aqui em casa é a mesma coisa: um cântico gutural das madrugadas.

 

Fico desapontado e me defendo:

 

— Todos temos defeitos.

 

— Você tem o pior de todos.

 

— Tá sendo muito radical. Quando eu arranjar outra, você irá se arrepender.

 

Ela desdenha:

 

— Já na primeira noite, ESSA OUTRA é que irá se arrepender. Ou você trata esse motor mal regulado, ou não teremos futuro.

 

— Ah, caralho! Mulheres...

 

Olho as horas no celular: 03:37. Pego meu travesseiro e um cobertor de lã, e rumo para o sofá da sala.

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