AMOR SEM PRECEDENTES

Faz dez dias que eu namoro Dirce, uma linda boneca inflável. Ela tem a pele macia e fofa, cabelos castanhos, lábios grossos e sua boca fica sempre aberta. Minha maior satisfação é beijá-la sempre de língua.

 

Foi amor à primeira vista.

 

Era uma terça-feira quando entrei no sex shop para me informar sobre um utensílio básico para homens solteiros: Fleshlight, o masturbador peniano desenvolvido pela NASA.

 

Bom, na verdade o Cyberskin — material que imita a pele humana — é que foi desenvolvido pela Agência Espacial Norte-Americana e, posteriormente, embutido no acessório.

 

O que cá pra nós, faz toda a diferença.

 

Nos fóruns de discussão sobre o assunto o brinquedinho estava sempre em evidência.

 

Assim como nos anúncios do Facebook.

 

E nas propagandas do Sexy Hot.

 

Sondando as prateleiras da loja, dei de cara com ela, Dirce. No mesmo instante fui escravizado pelo seu olhar expressivo e, sem titubear, comprei-a antes que a sequestrasse.

 

Até agora, Dirce foi submissa a mim: trepamos gostoso, falo sussurros ao seu ouvido e mudamos de posições todas as noites. Ela é flexível e faz malabarismos na hora do coito. Não incomoda, é silenciosa e apenas olha — uma qualidade da qual aprecio muito.

 

O único problema é que sua timidez é exagerada. Quando deitamos na cama, palavras não saem dali.  Nem mesmo um "Boa noite, amor".

 

Estou fazendo de tudo para que o tempo não desgaste nosso relacionamento. Dirce é a mulher que eu amo e, quem sabe, com quem irei me casar.

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