TED BUNDY, SÉCULO XXI

13 de abril de 2010.
 
Parte I
 
Meu braço direito está engessado e descansa sobre uma tipoia. Embaixo da axila esquerda, carrego três livros. Estou de tocaia à espera da escolhida. Não há veículos nem pessoas circulando na rua. Vou aguardar pacientemente, mais cedo ou mais tarde o destino me presenteará.
 
Sim, a paciência é uma virtude.
 
Logo vejo uma jovem andando na outra calçada. Caminha na minha direção: cabelo com mechas loiras e repartido ao meio, olhos azuis, pescoço longo, magra e com um metro e sessenta de altura. Tem biotipo e pose de uma universitária.
 
Delícia!
 
Atravesso a rua e deixo meus livros caírem. A garota sorri e eu comento que sou um atrapalhado. Reclamo do meu gesso. Ela me oferece ajuda e eu aceito. Peço encarecidamente que leve os meus livros até o carro.
 
Sim, a bondade é sua maior qualidade.
 
Com um clique no controle, desativo o alarme do Celta quatro portas e peço para a jovem ajeitar os livros no banco de trás. Enquanto curva-se para largá-los, pego o martelo escondido sobre a roda dianteira e lhe acerto a cabeça — um pouco acima da nuca.
 
A garota cai desmaiada.
 
Estico seu corpo no banco traseiro, dou a partida e vou em direção ao meu abatedouro.
 
Parte II
 
A mata é fechada e a escuridão não ajuda em nada. É um lugar afastado da cidade e bastante ermo. Faço daqui o meu cemitério natural. Não há o que temer, a não ser algum animal peçonhento que possa aparecer. Exceto isso, nada mais pode me atrapalhar.
 
Que horas devem ser agora? Dez, onze ou meia-noite?
 
A jovem está com as mãos amarradas e a boca amordaçada. Arrasto-a mata adentro.
 
Sinto-me como um Deus: eu, somente eu, é quem decidirá se a bela moça viverá ou morrerá.
 
Não há sensação mais gloriosa que o poder.
 
Não há estímulo mais gratificante que a submissão alheia.
 
A cada segundo que passa a ansiedade ativa o motor da máquina letal que preenche o meu interior.
 
Carrego em minhas costas uma mochila escolar. Ponho-a no chão e retiro uma lanterna. Acendo sua luz e meus olhos se cruzam com os da minha presa.
 
A menina sacode as pernas e tenta gritar, porém de nada adianta. Estamos sozinhos em meio à escuridão...
 
Subo em o seu corpo e, me inclinando, aperto o seu pescoço. Ela se debate desesperada. Antes que desmaie, alivio minhas mãos deixando-a respirar novamente.
 
O coração da garota pulsa intensamente.
 
Tiro a sua calça capri lilás e a sua calcinha branca. Busco na mochila o meu cutelo. A jovem vadia dos olhos azuis tenta rastejar-se para trás, entretanto a vegetação a impede de continuar.
 
Estou inquieto e com muito tesão. Deito-me em cima da piranha e ergo sua blusa e seu sutiã. Mordo suas bochechas e arranco seus mamilos com os dentes. Cuspo-os para o lado.
 
Assim como o vampiro se alimenta de sangue humano, eu me alimento da angústia humana.
 
Assim como Dalai Lama compartilha a paz, eu compartilho o desespero.
 
Mansamente aperto o pescoço da universitária que aos poucos vai adormecendo. Suas pernas desistem de lutar e param de se debater. Minha libido está a mil por hora. Meu domínio agora é total em relação aquele lindo corpo falecido. Arrio minhas calças e penetro ferozmente o meu caralho dentro da vulva, ainda quente.
 
Faço o que bem entendo, sem intromissão ou distração.
 
Sou pura interjeição: ah!, ai!, oh! ahhhh!
 
Gozo intensamente e me deixo cair sobre a garota. Beijo-lhe os lábios e acaricio seus cabelos. Relaxo. Deixo o tempo passar até me sentir revigorado. Pego o cutelo e corto os dois dedos anelares daquele cadáver juvenil. Guardo-os na mochila. Ajeito minha roupa no corpo e regresso para casa mais calmo e com o sentimento de dever cumprido.

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