TRECHO DE LIVRO: DIVINA SUJEIRA (I)

Assim que Rosário vai embora, ligo a tevê e fico curtindo a reprise de uma novela que foi transmitida há uma cacetada de tempo. A protagonista é uma negra que, na época em que a novela rodou originalmente, teve seu encanto. Agora está de cabelo grisalho e rugas no rosto. Começo a recordar da minha primeira transa com a tal prostituta, mas que a cada dia busco exterminar por completo da minha memória. 

 

**

 

Eu, Rino Caldarola, filho de pai descendente de italianos com mãe brasileira, na época, com doze para treze anos. A puberdade florescendo dentro de mim, enquanto aos poucos ia descobrindo o real valor da masturbação.

 

Naquele tempo, eu era muito feio. Não que hoje eu seja um exemplo de beleza, mas houve uma evolução. Tinha o cabelo cor de fogo, muitas sardas no rosto e, se fosse dez por cento mais branco, poderia ser considerado albino. 

 

Morava em uma rua onde os grandes vigias e frequentadores eram traficantes, cafetões e prostitutas. 

 

Por ser esquisito, nunca era convidado para reuniões dançantes, cinemas, aniversários ou qualquer tipo de festa da turma da escola. A princípio, achei que era excluído por ser descendente de italiano e meu pai ter cara de fascista. Mas não. Realmente era colocado de lado por ser diferente, ou melhor, ser feio mesmo. 

 

Tinha raros amigos no colégio e, mesmo esses, nunca me convidavam para nada. Enquanto todos estavam se divertindo no fim de semana, eu ficava olhando pela janela do meu quarto a movimentação na rua.

 

Aos sábados, era grande o burburinho por ali. E foi numa dessas noites, onde o calor ditava suas regras, que minha heroína apareceu. Era mulata, tinha um metro e setenta e cinco de altura, pernas longas e grossas, bunda sólida e pesada e usava roupas justíssimas — de preferência da cor vermelha. Normalmente combinava a cor das roupas com a presilha de flor do cabelo.

 

Apesar da profissão, deixava evidente que era uma mulher vaidosa. Foi paixão à primeira vista.

 

Lembro que era um dos seus primeiros programas à frente da minha janela. Nunca descobri qual foi o cafetão que a colocou ali. Mas, se tivesse descoberto, o teria agradecido pessoalmente.

 

Eu ficava na janela do meu apartamento olhando e babando. Seu gingado, ao caminhar, esbanjava sensualidade. Sua bunda ia pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, algo realmente excitante. Quando se curvava e empinava aquele rabo para atender algum cliente ou interessado que passasse de carro, eu ia à loucura. Era meu momento máximo. Comecei a me masturbar diariamente, sempre pensando nela. Dias depois, quando outra puta gritou alguma coisa para ela, descobri seu nome: Amélia.

 

Esse amor platônico durou cerca de um ano e tantos dias. Todo fim de semana ficava observando e me masturbando. Tinha dias que Amélia vinha vestida de forma tão avassaladora que eu chegava a descascar até três bananas em vinte minutos. 

 

Amélia que era mulher de verdade, e não uma ninfetinha inexperiente.
 

Já estava com quatorze anos quando tomei a decisão que, na época, me pareceu a mais sensata e acertada: iria perder minha virgindade com Amélia.
 

Certa noite, já com dinheiro no bolso — economia das mesadas que recebia do meu pai —, coloquei uma roupa social, para aparentar mais idade, e saí de fininho de casa enquanto os coroas dormiam. 

 

Não conseguia controlar minha ansiedade: as pernas bambas e o coração, em disparada, quase saltava pela boca. Não sabia se ela aceitaria minha proposta. Poderia me achar muito feio ou algo do gênero. Mas como diz o ditado: quem não arrisca não petisca. Então fui atrás do meu objetivo. 

 

A coisa toda rolou naturalmente. Tratou-me como um cliente qualquer e, sem enrolação, deu seu preço e suas condições. Concordei com tudo e fomos até um quartinho a três quadras do meu prédio.

 

Acalmei-me um pouco. Sentei na cama dura, onde o colchão parecia um grande bloco de concreto, e comecei a me despir. Fiquei apenas de cueca enquanto ela fumava sentada em uma cadeira. Antes que pudéssemos começar a brincadeira, contei-lhe sobre a admiração que tinha por ela e o quanto aquele dia era especial pra mim, já que seria o dia em que perderia minha virgindade. Na hora achei que estava com a bola toda de ser tão honesto, mas hoje sinto que fui um verdadeiro idiota. Amélia apenas disse: “Ohh que bonitinho”.

 

Não sabia muito o que fazer. Então a deixei tomar o controle da situação. Apagou a luz e deixou o ambiente bastante escuro. Tirou o vestido e ficou apenas de calcinha. Começou com um oralzinho básico, apenas para deixar meu peru duro. Logo depois, colocou em mim a camisinha, deu a volta na cama e ficou de quatro. Pegou minha pica já em riste e a guiou para a fornalha da salvação. Não tenho como descrever aquele momento e o que senti com a minha primeira penetração em uma mulher. As sensações eram diversas: excitação, satisfação, emoção. A merda é que foram apenas algumas penetradas e, sem muita delonga, veio uma forte rajada de sêmen. Me acomodei na cama com a sensação de dever cumprido — pelo menos no que dizia a respeito de eu perder a virgindade. 

 

O problema veio instantes depois, quando Amélia perguntou se eu queria perder a virgindade de mais algum lugar. Olhei para ela sem calcinha. Mesmo no escuro e limpando os olhos para ver se não estava enxergando coisas demais, avistei algo realmente grande, preto e assustador entre suas pernas, parecendo uma morcilha. Por fim, agradeci os serviços e disse que já estava mais que satisfeito. Voltei correndo para casa.

 

Entrei no meu quarto e, desapontado, sentei na cama. Estava chateado com a situação. Não sabia o que sentir nem pensar. Era muito novo para ter um trauma desses. Aos poucos, um misto de raiva, frustração e arrependimento começou a crescer dentro de mim. Seria algo a superar. Mas quanto tempo levaria? No fim das contas levou dois anos, até encontrar Evita e transar com uma negra de verdade.

 

Mesmo que o meu gozo tenha enchido uma camisinha e as sensações daquele momento tenham sido inesquecíveis, não tinha como esconder minha decepção. Apesar de ter a maior vaidade, Amélia não era mulher de verdade.

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