FAROESTE É AQUI

Tanto as mesas como os tamboretes no Bar do Pepeu estão ocupadas. Sentado diante de mim está Magnata. É um negro baixo, mas com uma musculatura muito fibrosa. Veste uma camisa preta com os botões do peito abertos e exibe uma grossa corrente dourada. O bar segue o estilo western americano. Um verdadeiro saloon do século XXI.

 

Na tevê de cinquenta e oito polegadas, passa o filme de Western Spaghetti Três Homens em Conflito. Fico impressionado com a beleza do Clint Eastwood quando jovem.

 

Magnata está de boca aberta e com o olhar fixo num ponto qualquer do bar. Chamo-o para regressar à Terra.

 

— A mochila tá aí do lado, Magnata? — pergunto.

 

— Qualé, porra! Claro que tá. Não sou cego. Se alguém tentar pôr a mão aqui, fica sem ela antes de piscar.

 

Atrás do meu comparsa, há um casal que conversa descontraidamente. O marido, um velho careca e de barba branca, afaga a mão da esposa e sorri para ela. A mulher, loira e no mínimo quinze anos mais jovem do que ele, ostenta um colar com um pingente de pedra e baforeja círculos de nicotina para cima. Parecem um casal apaixonado.

 

— Que horas entraremos em ação, Bola? — me questiona, Magnata.

 

— Porra, não enche. Eu aviso quando for a hora.

 

— Caralho! Por que a última palavra é sempre sua?

 

— Sou mais inteligente e duas vezes maior do que você.

 

— Pra mim isso é racismo.

 

— Ah, caralho! Não enche, porra, não enche.

 

Chamo o garçom e peço a conta.

 

— Se eu fosse o dono deste bar, colocaria todo fim de semana um show com dançarinas de cancan — digo.

 

— Cancan?

 

— Você é burro, hein?! Cancan... Aquelas mulheres que dançavam nos cabarés da França. Tantantãtãtãtãtã...

 

— Ah! Boa ideia.

 

— Às vezes eu acho um desperdício estar neste trampo. Tenho potencial pra ser político ou advogado.

 

— Cê tem potencial pra ser no máximo Rei Momo, Bola. Hahahá.

 

Não gosto da brincadeira, mas deixo passar. Magnata bebe o último gole da cerveja do seu copo.

 

— Está na hora — comento.

 

— Posso mijar antes? — pergunta Magnata.

 

— Não demora!

 

O garçom deixa a conta na mesa e sai. Olho o valor e chamo o garçom. Entrego-lhe o dinheiro e digo para ficar com o troco.

 

Não demora e Magnata aparece ao meu lado.

 

— Tô pronto.

 

Nos levantamos e caminhamos em direção a porta vaivém. Antes de chegar nela, paramos e sacamos da cintura nossas pistolas Magnum 44 e começamos a disparar. Rapidamente, a Mini-Uzi desaparece de dentro da mochila e salta para a mão do Magnata. Atiramos incessantemente (eu para o lado direito e meu comparsa para o esquerdo). Vejo clientes voando para baixo das mesas e outros projetando-se para trás com o impacto das balas. Noto que Pepeu se abaixa atrás do balcão. Em poucos segundos o serviço está feito. Sem perder tempo, rodopio meus revólveres nos dedos indicadores e assopro os canos. Magnata apenas ri: um riso alto e orgástico.

 

Guardamos as armas e, girando em noventa graus, atravessamos a rua e entramos no carro. Queimo a ponta de um charuto, puxo uma boa quantidade de fumaça e, lentamente, a lanço para fora da boca. Em seguida, zarpamos dali.

 

A carnificina saiu nos principais jornais do país. Em uma das fotos, aparecia um pingente de pedra no chão. Em outra, marcas de sangue na parede. Tenho que concordar com o contratante: foi um serviço muito bem executado. Tenho certeza que fidelizei mais um cliente.

 

Antes de guardar o dinheiro no cofre, vou até o telefone e uma dúvida me ocorre: peço uma pizza família ou um xis de bacon com fritas?

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